Um certo dia, dois rapazes chegam à lanchonete chamando o dono pelo nome, pois em tempos passados já andaram freqüentando uma ou duas vezes o ambiente:
- E ai seu Fernando, Tudo bom?
- Tudo, e vocês como estão? Respondeu, porem sem reconhecê-los.
- Tudo certo. Mas então, o senhor tem cerveja? Acrescentou o rapaz de bermuda?
- Tenho sim.
- Me da dois engradados e, por favor, coloque no porta malas do carro.
- Pois não. Respondeu cordialmente o dono da lanchonete.
- Ha...Me vê também duas picanhas com muita cebola. Falou o de calça cumprida, retirando do bolso o aparelho de celular e efetuou uma chamada.
- Alo, amor? Então amor estou aqui no seu Fernando, vem cá, duas picanhas dá, ou você acha que tem que ser três? Ficou mudo enquanto tamborilava no balcão.
- Ta, Beijos, também te amo. Completou o rapaz de calça cumprida desligando seu aparelho de celular.
- Seu Fernando, por favor, ao invés de duas por gentileza faz três.
- Deixa comigo. Disse o dono da lanchonete enquanto matava um restinho de água que havia sobrado em seu copo.
- O senhor tem carvão? Perguntou o de bermuda.
- Não tenho, só trabalho com comida e bebida, não vendemos carvão aqui. Falou em tom baixo o dono da lanchonete.
- Vamos ver se tem na padaria? Disse o de bermuda olhando para o de calça cumprida.
- Bora! Respondeu o de calça cumprida, que tinha como espectador de sua conversa com o de bermuda, o dono da lanchonete que manuseava a chapa recheada de picanha com cebola.
- Vamos da r um pulinho aqui na padaria e já voltamos, dois minutinhos. Disse o de bermuda a seu Fernando, enquanto entrava no carro com o de calça cumprida de passageiro.
E até hoje seu Fernando espera que os dois rapazes que se mostravam amigos voltem para pagar os dois engradados de cerveja que levaram no porta malas do carro.
Mas a parte boa é que seu Fernando degustou três deliciosas peças de picanha feitas na chapa, detalhe, com bastante cebola.


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